quinta-feira, 13 de junho de 2013

DO CRAVO A ROSA



DO CRAVO A ROSA

Nas pétalas vermelhas do cravo
morava  uma alma rosa  de rosa
e é tão viva esta alma que
aos poucos o cravo faz-se rosa
embora não exista
no cravo o DNA da rosa

trocam-se as pétalas
trocam-se as folhas
ganham-se os espinhos
segue-se, muitas vezes,
sozinha pelo caminho


Segue, ainda que margaridas neguem
seu direito e que marias-sem-vergonha
digam, sem pudor, embaraço ou pejo
ser uma vergonha que tenhas tais desejos.

Segue, porque ainda que crisântemos
desabrochem seus venenos
é seu, inteiramente seu, esse direito.

Segue,  porque brota  do seu peito,
a verdade de uma rosa decidida
A despeito das violências  violetas,
 invejas e margaridas reprimidas.

Segue, e mostra a lírios e delfins que
Quem  outrora esteve presa em outra flor
Mostra-se agora nas pétalas de uma rosa
desabrocha desejando o sol de primavera
embora haja sempre inverno a toda rosa nova.



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