DO CRAVO A ROSA
Nas pétalas vermelhas do cravo
Nas pétalas vermelhas do cravo
morava uma alma rosa de rosa
e é tão viva esta alma que
aos poucos o cravo faz-se rosa
embora não exista
no cravo o DNA da rosa
trocam-se as pétalas
trocam-se as folhas
ganham-se os espinhos
segue-se, muitas vezes,
sozinha pelo caminho
Segue, ainda que margaridas neguem
seu direito e que marias-sem-vergonha
digam, sem pudor, embaraço ou pejo
ser uma vergonha que tenhas tais desejos.
Segue, porque ainda que crisântemos
desabrochem seus venenos
é seu, inteiramente seu, esse direito.
Segue, porque brota do seu peito,
a verdade de uma rosa decidida
A despeito das violências violetas,
invejas e margaridas reprimidas.
Segue, e mostra a lírios e delfins que
Quem outrora esteve presa em outra flor
Quem outrora esteve presa em outra flor
Mostra-se agora nas pétalas de uma rosa
desabrocha desejando o sol de primavera
embora haja sempre inverno a toda rosa nova.
Nenhum comentário:
Postar um comentário